Projecto português fomenta electricidade a custos reduzidos
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- Publicado em segunda, 16 janeiro 2012 14:50
- Escrito por Super User
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Adélio Mendes, da FEUP, distinguido com o Prémio Solvay
Este projecto é, confessou o galardoado em conversa com o «Ciência Hoje», “um sonho que espero que em breve se transforme numa realidade partilhada por todos os portugueses”.
O projecto nasceu em 2005 e em 2008 o projecto avançou com o apoio da Agência de Inovação. A ideia era“fazer células fotovoltaicas com uma tecnologia diferente do convencional. O material utilizado normalmente é o silício”, explica.
Estas células solares sensibilizadas com corante (em inglês dye-sensitized solar cells) mimetizam a natureza na produção de energia. São constituídas por substâncias químicas abundantes e não perigosas.
As vantagens são muitas. Adélio Mendes destaca três: “esteticamente são mais atraentes, têm a capacidade de captação de luz difusa (é 20 por cento mais eficiente do que as de silício neste aspecto) e os custos de produção são bastante mais baixos”. A desvantagem é que “é necessário o dobro da área para produzir a mesma energia”.
O prémio foi entregue pelo sistema inovador de selagem desenvolvido que permite assegurar a estabilidade dos módulos fotovoltaicos a longo prazo. “Selámos com uma pasta de vidro”, explica, o que faz com que as células tenham um maior potencial de aplicações. “Podem funcionar como revestimentos de edifícios, ou substituir janelas”.
De resto, considera o investigador, “este será o melhor revestimento que uma casa pode ter”, isto porque é também um excelente isolante térmico.
Adélio Mendes adianta que estão já a ser fechadas algumas parcerias para financiar o fabrico deste produto, estando já a ser feito um protótipo industrial. O investigador aponta 2014 como o ano do lançamento do produto no mercado.
Valorizar socialmente o conhecimento
Tendo já cumprido o sonho de desenvolver este material, que é o mais eficaz a nível internacional, Adélio Mendes pretende ir mais longe: “quero revestir os edifícios de toda a Europa”.
O produto é excepcionalmente eficaz em climas onde há mais luz difusa. “Com sol directo, o silício ainda é mais eficaz, pelo menos para já. Este produto funciona melhor acima do paralelo 40 N e abaixo do 40 S”.
Para o investigador, o sucesso desta investigação prende-se com a ligação da universidade às empresas que “acreditam e arregaçam as mangas”. As universidades “são financiadas pelos impostos, devem por isso ter em vista o retorno do investimento e a valorização social. E se não promovermos a valorização social do conhecimento estamos a promover a mediocridade”, acredita.


