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Projecto português fomenta electricidade a custos reduzidos

Adélio Mendes, da FEUP, distinguido com o Prémio Solvay

2011-12-22
Por Luísa Marinho

Um projecto inovador de produção de energia eléctrica através de células fotovoltaicas sensibilizadas com corante, liderado por Adélio Mendes, professor associado da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), acaba de ser distinguido com o Prémio Solvay atribuído na área da engenharia química e ambiente pelo grupo Solvay Portugal e a Hovione. A  nova tecnologia, não poluente, permite produzir electricidade a custos reduzidos e de forma sustentada.

 Este projecto é, confessou o galardoado em conversa com o «Ciência Hoje»“um sonho que espero que em breve se transforme numa realidade partilhada por todos os portugueses”

 O projecto nasceu em 2005 e em 2008 o projecto avançou com o apoio da Agência de Inovação. A ideia era“fazer células fotovoltaicas com uma tecnologia diferente do convencional. O material utilizado normalmente é o silício”, explica.

Estas células solares sensibilizadas com corante (em inglês dye-sensitized solar cells) mimetizam a natureza na produção de energia. São constituídas por substâncias químicas abundantes e não perigosas.

As vantagens são muitas. Adélio Mendes destaca três: “esteticamente são mais atraentes, têm a capacidade de captação de luz difusa (é 20 por cento mais eficiente do que as de silício neste aspecto) e os custos de produção são bastante mais baixos”. A desvantagem é que “é necessário o dobro da área para produzir a mesma energia”.

O prémio foi entregue pelo sistema inovador de selagem desenvolvido que permite assegurar a estabilidade dos módulos fotovoltaicos a longo prazo. “Selámos com uma pasta de vidro”, explica, o que faz com que as células tenham um maior potencial de aplicações. “Podem funcionar como revestimentos de edifícios, ou substituir janelas”.

De resto, considera o investigador, “este será o melhor revestimento que uma casa pode ter”, isto porque é também um excelente isolante térmico.

Adélio Mendes adianta que estão já a ser fechadas algumas parcerias para financiar o fabrico deste produto, estando já a ser feito um protótipo industrial. O investigador aponta 2014 como o ano do lançamento do produto no mercado.

 Valorizar socialmente o conhecimento

Tendo já cumprido o sonho de desenvolver este material, que é o mais eficaz a nível internacional, Adélio Mendes pretende ir mais longe: “quero revestir os edifícios de toda a Europa”.

O produto é excepcionalmente eficaz em climas onde há mais luz difusa. “Com sol directo, o silício ainda é mais eficaz, pelo menos para já. Este produto funciona melhor acima do paralelo 40 N e abaixo do 40 S”.

Para o investigador, o sucesso desta investigação prende-se com a ligação da universidade às empresas que “acreditam e arregaçam as mangas”. As universidades “são financiadas pelos impostos, devem por isso ter em vista o retorno do investimento e a valorização social. E se não promovermos a valorização social do conhecimento estamos a promover a mediocridade”, acredita.

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=52314&op=all

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